Wolfgang Borchert

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Ich fahre mit der Straßenbahn, der guten gelben Straßenbahn. Wo fahren wir hin? frag ich die andern. Zum Fußballplatz? Zur Matthäus-Passion? Zu den Hütten aus Holz und aus Hoffnung mit Tomaten uns Tabak? Wo fahren wir hin? frag ich die andern.

Da sagt keiner ein Wort.

Aber da siztz eine Frau, die hat drei Bilder im Schoß. Und da sitzen drei Männer beim Skat nebendran. Und da sitz auch der Krückenmann und das kleine Mädchen ohne Suppe, und as Mädchen mit dem runden Bauch.

Und einer macht Gedichte. Und einer spielt Klavier. Und siebenundfünfzig marschieren neben der Straßenbahn her.
(…)
Tingeltangel, mach die Klingel der Straßenbahn. Und keiner weiss: wohin? Und all fahren: mit. Und keiner weiss — und keiner weiss — und keiner weiss —

Photo Credit:Isabela Santos
Câmera: da Clara
Local: U-Bahn Hallesches Tor

Minha tradução livre:
Eu ando no bonde, o bom e amarelo bonde. Para onde vamos? pergunto aos outros. Para o campo de futebol? Para a Paixão segundo São Mateus? Para a cabana de madeira e esperança com tomates e tabaco? Para onde vamos? pergunto aos outros.

Ninguém diz uma palavra.

Mas aqui está assentada uma mulher que tem 3 gravuras no colo. E aqui estão assentados três homens que jogam cartas. E aqui está assentado o homem de muletas e a pequena garota sem sopa, e a garota com barriga redonda.

E algum escreve poemas. E algum toca piano. E 57 marcham de encontro ao bonde.
(…)
Tingeltangel faz a campainha do bonde. E nenhum sabe: para onde? E todos vão: no bonde. E ninguém sabe… e ninguém sabe… e ninguém sabe…

Wolfgang Borchert, autor deste texto, morreu em novembro de 1947 com apenas 26 anos de idade. Em janeiro deste ano ele escreve Draßen vor der Tür, este drama realista (do qual copiei este breve trecho) de um retorno à vida pós guerra e conflitos, miséria e solidão que esperam uma geração que chega. 
Estava procurando alguma peça de teatro alemão para ler e depois de folhear vários livros em uma livraria “sebo”, achei este. Ainda não sabia exatamente do que se tratava, mas achei relativamente fácil de ler e decorar, por isso comprei. Somente depois vi do que se tratava e li sobre o autor e o livro. Mas para mim é mais fácil pensar que este trecho sobre o “bom e velho bonde” é mais leve do que mostrou ser.
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