Mês: março 2011

2 palavrinhas

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Primeira palavrinha:
Estamos na primavera e entramos no horário de verão. Agora são 5 horas a mais que no Brasil. Ou seja, enquanto no Brasil são 13h, aqui são 18h. Desvantagem: fico desencontrando dos meus pais no Skype. Vantagem: só escurece às 20h e eu acho ótimo.
Segunda palavrinha:
Como o sol tem aparecido bastante e a temperatura está se elevando (cerca de 10 graus durante o dia) eu voltei a andar com minha adorada bicicleta. Com isso espero perder alguns poucos quilinhos.
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Edson Cordeiro (de novo)

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Gente, tenho que contar! Fui ontem ao show do Edson Cordeiro aqui em Berlim e foi fabuloso! Pra quem mora aqui, hoje é a último dia no Teatro BKA. Ele é um mega artista. Me emocionei, me encantei, me espantei, me impressionei e ri demais! Que afinação e sensibilidade. Taí um cara que tem ótima técnica de canto lírico mas sabe se adaptar às canções. Porque tá cheio de gente por aí cantando Garota de Ipanema como se fosse O mio babbino caro e sinceramente eu acho ridículo. Ele não, ele sabe o que a música e o arranjo pedem e executa com perfeição.
Ele é mais baixo que eu e um gigante no palco. Sua interpretação é admirável, ele sabe bem o que está cantando, ele canta cada palavra, interpreta mesmo o texto das canções sem se incomodar se agora a voz vai soar um pouco “feia” ou rouca ou sei lá! Ele é um show man que sabe o que faz e se adapta à música. (Sei que estou repetindo, mas é algo muito importante isso!)
Aí fui lá conversar com ele, dei uma de tiete mesmo, é claro que com muito respeito. Tirei uma foto com ele e falei sinceramente o quanto ele estava sendo mais uma grande inspiração para mim. Edson, já gostava das suas misturas loucas musicais quando eu tinha 10 anos e agora mais ainda. Só você pra misturar desde Handel até Madonna no mesmo show e ainda fechar com Barbie Girl fazendo com que tudo se encaixe e tenha perfeita sintonia. *espero que ele não se importe por eu estar postando nossa foto de celular.

No Telefone

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“O telefone tocou novamente, fui atender e não era o meu amor… “
Os versos são de Jorge Ben e a situação é comum para os estrangeiros aprendendo alemão. Falar ao telefone é sempre pior que ao vivo. Eu estou começando agora a ficar mais relaxada com isso, mas no início, interfone era ainda pior que telefone. Já até chorei por causa disso uma vez! Um cara tocou o interfone e pediu pra eu abrir a porta. Eu perguntei pra que. Ele falou schehnordsflienemsttsshdgksagh ghrgrh schigkeiten!! Eu falei que não tinha entendido. Ele repetiu falando mais alto. Eu falei que não tava entendendo e que era pra ele tocar em outro apartamento. Aí ele começou a gritar comigo (coisas que também não entendi). Aí eu falei que era estrangeira e continuava sem entender o que ele queria e eu não ia abrir a porta. Aí uma voz de mulher apareceu e começou a gritar do mesmo jeito comigo. Fiquei nervosa. Abri a porta e danei a chorar. Que besteira né. Depois contei isso pra minha professora de alemão do curso que fazia na época e ela falou “Por que você não abriu logo?”. Quando falei isso pra uma brasileira ela disse “Por que você não bateu logo o interfone na cara deles?”. Acho que fiquei num dilema cultural e acabei abrindo mas me sentindo culpada e até hoje não sei o que eles queriam no meu prédio. Depois tive mais uns 2 apertinhos ainda com interfone de novo, mas menos piores. Ainda sim cada vez que o interfone tocava eu tremia. Até que com o tempo fui me acostumando com as palavras-chave tipo: correio, anúncio, encomenda, sou seu vizinho e esqueci a chave, estou trabalhando no seu vizinho…etc.
Bom, aí no telefone não é tão ruim quanto ao interfone, porque o que me mata são essas conversar curtas! Demorei umas semanas pra começar a entender quando a moça do caixa da drogaria me perguntava se eu tinha o cartão da loja ou se eu queria uma sacolinha e no supermercado se eu queria “feijões de confiança” ou “corações fiéis”. Cada um tem seu sistema de acumular selinhos e depois ganhar um prêmio ou trocar por algum produto. Na lanchonete podem te perguntar “é pra comer aqui ou pra levar?” e a Clara minha amiga só fez um gesto com a cabeça porque não entendeu bulhufas quando ela estava a passeio por aqui e ganhou uma marmitinha. Aí foi comer sem graça na calçada. A Eve é casada com alemão e mora aqui há 1 ano. Foi pedir um currywurst (salsichão com curry) e ao invés de perguntarem a ela “com catchup ou maionese” falaram “vermelho e branco“?? Hein?
Aí no telefone as conversas geralmente são mais longas que isso, o que facilita, por incrível que pareça, afinal você sabe do que se trata o assunto anteriormente e já está preparada, enquanto as perguntas de supetão na drogaria e supermercado, não. É engraçado pensar que às vezes a gente não consegue responder a pergunta mais boba como “quer uma sacola?” e consegue manter uma conversa de horas em alemão. Ao vivo. Voltando ao telefone… (nossa eu tô me distraindo do tema facilmente hoje!) … eu até pouco tempo pedia pra alguém ligar em meu nome quando eu precisava. Agora já estou ganhando mais confiança porque odeio depender dos outros. Mas quando é alguma coisa importante de verdade ou se é um assunto muito sério, ainda prefiro que alguém fale por mim. Felizmente isso não tem acontecido. 
Hoje eu estava aqui organizando uns documentos e vi que seria bom ter um certificado de conclusão do curso B2. Aí liguei pra JVHS, que foi a escola que fiz “oficialmente” este nível e falei tudo! A moça teve que perguntar duas vezes quando foi que eu fiz o curso, tá certo. Porque com o “quando” dela eu achei primeiro que era “pra quando eu preciso”, depois que era “quando você quer buscar”…aí finalmente ela falou de novo. “Não, quando… você … fez … este… curso… conosco?” Achso! Passado este pequeno empecilho o resto todo falei certinho e vou lá buscar meu certificado segunda-feira.

Edson Cordeiro

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Resolvendo coisas na rua – dentre elas buscar uma toalha de mesa que comprei o pano no Ikea por €6,40 e a bainha (Die Saum) ficou em €10 – passei na frente de um teatro que não sabia que existia, o BKA. Endereço Mehringdamm 34, 10961 Berlin.
Fiquei ainda mais surpresa ao ver o cartaz na porta: Edson Cordeiro: The woman’s voice. Vocês se lembram quando ele explodiu no Brasil nos anos 90? Ele cantando trechos da famosíssima ária “Der Hölle Rache”, de Mozart e Cássia Eller cantando “I can’t get no satisfaction”, do Mick Jagger e Keith Richards. Tudo junto, no mesmo arranjo. Eu particularmente acho bárbaro. Bem cafona e original. Quem aí nunca curtiu uma música ou arranjo bem barango? É uma graça. Pois bem, fiquei curiosa e comprei meu ingresso para vê-lo ao vivo. Custou €20 e ele canta hoje, sexta e sábado (23, 25 e 26.03.11). Acredito que ele foi o grande responsável por qualquer pessoa conhecer essa ária de Mozart. Tá, tá, eu sei que ela já era MEGA ULTRA conhecida, mas vai falar que não popularizou ainda mais?
Esta aqui é a famosa versão de I can’t get no com Rainha da Noite:
E aqui o site dele, bem legal por sinal:

Faça você mesmo

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Aqui na Alemanha cada um se vira pra tudo. Desde pegar a própria caixa do armário que comprou na prateleira de algumas lojas – isso inclui subir em escada etc – até transportar para a sua casa e montar. 
Há 2 semanas ajudei um amigo a fazer a mudança dele. Ele contratou um cara que tem uma van, empacotou tudo ele mesmo e nós dois tiramos todas as caixas do quarto dele e levamos até a van e depois da van até o apartamento novo. O cara da van ia cobrar mais se tivesse que carregar as caixas também, mas ele tinha uma bolsa com a bandeira do Brasil e simpatizou conosco, aí acabou ajudando um pouquinho. Meu amigo só tinha mudança de um quarto, imagina uma casa inteira! De qualquer forma um dos outros motivos pelos quais quero tirar carteira de motorista é porque aqui é muito barato alugar carro e com a carteira “B” além de carros normais você também dirige van. Uma van custa 4,50 por hora na loja Robben und Wientjes e contratar um cara com uma van custa cerca de 30,00, então eu diria que compensa fazer você mesmo! E pensando nisso ao longo dos anos, mais ainda.
Outro dia comprei um armário para por embaixo da pia e este mesmo amigo teve que carregar até aqui em casa pra mim, eu não daria conta de carregar aquele peso! Pois bem, aí hoje montei. O manual era bem fácil e tudo explicado sem uma palavra, só com desenhos. Só que agora vou precisar olhar com calma como ajusta a porta, pois ela está fechando muito para dentro do armário, não fica alinhadinha com o armarinho todo. Fui tentar ajustar a primeira vez e uma das portas ficou meio dura, arranhando no “chão” do armário. Agora cansei, vou relaxar e quando tiver cabeça de novo eu tento mais uma vez ajustar as portas.

Procurando emprego na Alemanha

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Então… estou aqui em Berlim há 7 meses e uns 10 dias (sendo 1 mês no Brasil). Sei que minhas economias vão acabar uma hora, infelizmente. Considero que meu período de reconhecimento de território alemão acabou. E ano passado foi proveitoso: cantei em 4 concertos, duas festas de aniversário e uma festa beneficente. Fiz uma audição para uma agência de empregos para músicos e uma prova para um curso universitário num nível entre o mestrado e o doutorado. As duas audições não resultaram em nada, fora experiência.

Fiquei satisfeita com a experiência e considero boas tarefas cumpridas. Recebi um carta da Universidade depois dizendo que apesar da minha ótima prova eu não tinha passado e se eu não concordasse que processasse eles. Profissional. Deve ser uma carta praxe, mas gosto de pensar que eles realmente acharam que fui bem.

Aí agora estou no processo de transcrever minha carteira de motorista, fazer mais aulas de alemão e estou olhando também um curso de italiano. Fui ao Jobcenter (ou Arbeitsamt, ou Bundesagentur für Arbeit) e me inscrevi. Foi bem fácil, só precisei na minha identidade (no caso a portuguesa que eu uso aqui) e meu Anmeldung (registro de moradora). Respondi algumas perguntas simples, a moça me entregou um formulário e pediu que eu preenchesse em casa e devolvesse no endereço tal. Fiquei o domingo todo por conta de preencher as 4 páginas e fazer um novo currículo para mim. Meu currículo é todo como cantora, e eu já o tinha em alemão. Mas agora decidi que para treinar mais meu alemão e ganhar um dinheirinho, vou tentar achar um “emprego normal” por meio período. Assim nas outras horas eu posso fazer algum outro curso de alemão ou outras línguas ou qualquer outra especialização ou mesmo audições que eu queira.
Pois bem, fiz meu novo currículo, em inglês, mas vou traduzir logo pro alemão. Foi dureza descobrir o que mais eu sei fazer. Eu achava que só sabia mexer com música, mas descobri que quando eu trabalhava com os mil casamentos no Brasil eu era também uma Event Manager (há!) e também trabalhava diretamente com relacionamento com clientes. Nisso fui vendo tudo que eu fazia e descobri que eu sou capaz, afterall, de ter um emprego de gente normal! Mas eu ainda não sei se a questão da língua vai me atrapalhar. Vamos ver. 
Quando me inscrevi no Jobcenter parece que isso já gerou automaticamente para mim um número de Previdência na Alemanha, o Rentenversicherungsnummer (número de seguro de pensão) ou Sozialversischerungsnummer (número de seguro social), sem ele não pode trabalhar. Recebi uma carta deles poucos dias depois que me inscrevi na agência de empregos, por isso imagino que é meio que automático. Entre o Brasil e Alemanha existe também um acordo previdenciário, em que na hora de pedir a aposentadoria o tempo que você contribuiu em cada país conta. Como ainda falta um bocado de anos pra eu me aposentar, ainda não olhei detalhadamente este assunto.

Hoje fui novamente ao Jobcenter fazer minha primeira entrevista detalhada com minha consultora sobre com o que eu posso trabalhar, quanto eu quero ganhar, por quantas horas. Ela foi bem simpática e confesso que não entendi tudo que ela falou não, mas sei que agora eles tem meus dados principalmente como cantora no sistema e se alguém procurar por uma pessoa com minhas características irão entrar em contato comigo. No meio tempo eu também tenho que procurar emprego e se achar devo avisá-los.

Enquanto isso no banheiro…

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Importei um chuveirinho do Brasil. Sabe? Quando fui comprar na loja no Brasil eu estava no Rio de Janeiro. Deve ser alguma coisa regional, eu falei pra moça “tem chuveirinho?”. Ela falou “ducha higiênica?”. Bom, sim, faz sentido e parece politicamente correto. Aí comprei. Aqui na Alemanha não tem essa de limpar o bumbum. Limpar pra que? Ele fica lá fechado, escondido. Aqui as pessoas usam (quem usa) Feuchttücher (toalhinhas descartáveis umedecidas). Pelo menos tem vários tipos, tamanhos, com perfume, sem, pra crianças e dragões (juro, tá escrito assim), com cheiro de chiclete, que se dissolve na água, grossas e finas.
Tem toalhinha umedecida para diferentes pisos, pra parede, pra fogão, pra limpar as lentes dos óculos, a privada e a banheira. Ou seja, toalhinha não falta. Mas e quando não tá escrito na embalagem que a toalha se dissolve na água? *Isso quer dizer que podemos jogar a toalhinha na privada. Bom, as pessoas jogam mesmo assim. Jogam tudo na privada, exceto absorvente.
Aqui todo mundo joga papel na privada. Em muitos banheiros nem tem lixeira. Lixeira pra que? Me falaram uma vez: “o quê? Vocês jogam o papel na lixeira? Guardam o cocô dentro da lixeira no banheiro? Que nojo.” Faz sentido… por um lado, admito.
Por esses dias vou chamar um cara pra fazer uns servicinhos aqui em casa, tipo pregar umas coisas numa parede temperamental da cozinha, instalar uma luminária e…tchanam! Puxar água da pia e instalar o chuveirinho! Espero que funcione. Pensando bem, talvez se os alemães tivessem um chuveirinho no banheiro eles iam tomar menos banho. Não sei se é falta de banho ou preguiça de usar desodorante…mas vira e mexe encontramos, ou melhor, cheiramos cada coisa por aqui. Quero só ver quando chegar o verão e todo mundo sem camisa com o braço levantado no metrô!
Nota: pra fazer um post como esse, digo entrelinhas que alemão toma pouco banho e limpeza pessoal e da casa não é o forte deles, mas não é totalmente verdade tá! Depende.