Causos de Berlim #7 – Toc toc

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Causo 1:
Sábado. 5 da manhã.
-TOC TOC TOC TOCCCCCCCC e PÉEEEEMMMM na campainha.
Pulo da cama e saio correndo pra porta! O prédio tá pegando fogo? Meu vizinho morreu?
TOC TOC PAF PAF e PÉEEMMM se repetem.
A voz:
-É A POLÍCIA!!!
De pijama, sem abrir a porta:
-Pois não? Em que posso ajudá-los?
-Você ligou pra polícia e estamos aqui, queremos saber se o Herr Berganovitsch mora aí.
-Não, keine Ahnung sobre Herr Berganovitsch, não conheço nenhum.
-Ah, então ele não mora aí?
-Não. Es tut mir Leid. Você tá vendo escrito na minha porta Herr Berganovitsch?? Não né! Santos parece com Berganovitsch?
-Sabe onde ele mora? Porque Herr Berganovitsch ligou pra Polícia.
-Infelizmente não.
-Certo, obrigado, Auf Wiedersehen!

Parênteses 1: Imaginaram o tom de voz de polícia alemã né? Assim tipo “se eu estou trabalhando no sábado às 5 da manhã você não pode estar dormindo e eu vou gritar pro prédio inteiro ouvir.
Parênteses 2: há uns meses a polícia estava no meu prédio procurando alguém e também não era aqui. Esse é um dos problemas de ter prédios com o mesmo número na mesma rua. O que? Pois é. Na minha rua o mesmo número de prédio tem a, b e c!

Causo 2:
Domingo, 10 da noite. Uma tempestade.
TOC TOC TOC TOC TOC péeeemmmm
Saio correndo do banheiro com a toalha de rosto na mão.
Meu vizinho turco falando alemão rápido:
-Você precisa vir aqui em casa ver uma coisa, a janela, a água, está lá, corre, tem que ser rápido, ó meu Deus, me desculpe, não sei, sim, é, sou seu vizinho de cima.
Subo as escadas correndo imaginando que a filha dele tava afogando ou qualquer coisa do tipo. Saio sem a chave e largo a porta de casa aberta. Achei que era caso de vida ou morte pelo tom de voz dele.
Chego lá e ele me mostra que trocou as janelas por um modelo mais moderno mas que com o temporal estava entrando muita água pra dentro, mesmo com a janela fechada e já tinha uma poça no chão. Ele temia que logo fosse vazar pro meu apartamento, abaixo do dele. Agradeci a preocupação, nisso chega o meu Compagno (não preciso ficar explicando a identidade do outro né). Pois bem, problema visto mais uma vez, nós dois descemos de volta pro apartamento.
De frente pra porta (que ele fechou) ele coloca a chave dele. Não abre. Ele me pergunta:
-Você trouxe sua chave né?
-Não, claro que não! Pois eu estou até com a toalha na mão! Vim correndo.
Nota: Na maior parte das casas aqui, se a chave está toda enfiada na porta mesmo destrancada, o outro lado não consegue abrir. Pronto, estamos presos. Esmurra daqui, reclama dalí, tenta forçar a chave sem sucesso, pega no celular que por acaso estava com ele e começa a procurar o telefone do chaveiro 24h já imaginando os absurdos tipo 300 euros que teríamos que pagar. Até que resolve dar uma de James Bond, volta no vizinho turco, pede um cartão de crédito e com muita habilidade abre nossa porta novamente! E o vizinho a esta altura se desculpando porque se sentia responsável por ter me tirado de casa sem chave etc etc bla bla blá.

Lição 1: nunca saia sem chave.
Lição 2: nunca deixe a chave toda enfiada na porta se todos os moradores não estão dentro de casa, mas na dúvida, melhor não deixar nunca.
Lição 3: Não se desespere porque seu vizinho está desesperado e saia sem a chave.
Lição 4: Depois que se descobre como abrir uma porta com um cartão de crédito, nunca deixe a porta destrancada! Porque por mais que isso aqui seja Berlim, eu sou mineira! E mineiro é desconfiado.
Imagina se no dia dos policiais do causo 1 a porta tivesse aberta? E se eles não fosse policiais? Ou sei lá! Eu hein!
Lição 5: não troque sua janela de 130 anos por uma moderna!

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Um comentário em “Causos de Berlim #7 – Toc toc

    Joaninha Bacana disse:
    20 de junho de 2011 às 3:00 pm

    Hahaha – que aventura 😀 E que prédio animado, hehehe :-DBeijocas, Angie

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