Mês: setembro 2012

Vídeo ópera subaquática – Unterwasseroper

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Este vídeo contém: 2 coros e 1 solo da foca, trechos da ópera na água “Das Alter der Welt II”, que se passam nos 10 primeiros minutos de ópera. Esta gravação foi feita durante a récita do dia 22 de setembro de 2012, ao vivo, na piscina Baerwaldbad, em Berlim. O coro representa focas brancas.

Na primeira cena deste vídeo cantamos  o coro “Luft luft”: “ar, ar, vamos fazer buracos para passar o ar, arranhem, com dentes afiados, focas!”. Em seguida vem “Meeresgrund”: “nós somos seres antigos, nós pedimos em sacos, guardamos a mercadoria”. Durante este trecho canto 5 vezes um “Oh” bem agudo e alto, uma nota longa. Em seguida vem meu solo “nós colecionamos e asseguramos o sombrio e o cansaço”. Nota: essa tradução para o português dos trechos do vídeo é uma tradução bem livre minha. A ópera é toda experimental e nada tem um significado fechado ou claro. O que importa são os efeitos durante a apresentação.

Ópera debaixo d’água!

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Após a estreia em Dresden em agosto (fotos ao final do post), cantarei em Berlim 1 vez por mês de setembro a dezembro com a ópera subaquática “Das Alter der Welt II”. Música de Susanne Stelzenbach, libreto de Monika Rinck.

Em Dresden a produção foi grandiosa, fizemos a ópera no meio do rio Elbe. O público ficou em cadeiras da outra margem do rio e acompanhou tudo ao vivo e também em telões, com 3 câmeras transmitindo todos os detalhes. Além dos microfones para debaixo da água, os cantores também usaram microfones para “acima da água” e o vento de uma apresentação ao ar livre e a água fria do rio foram problemas enfrentados pela equipe. Ao final da ópera, eu deveria estar junto das solistas principais, cantando o meu solo juntamente com minha colega de cena Marianne Klaassen, mas em Dresden ela cantou essa parte sozinha e eu troquei de roupa e fui de bicicleta pegar um barco enorme a vapor, o “Leipzig” (veja foto abaixo) que passou pelo rio exatamente no final da ópera e eu estava lá na ponta do barco all by myself, cantando ecos e trechos do Finalle. Bem a la Titanic.Foi uma experiência bem interessante, devo dizer, principalmente porque nunca havia feito um passeio de barco assim, a não ser uma escuna em Búzios. Desci do barco alguns quilômetros depois e tive que voltar pro local da apresentação de táxi.

Barco a vapor Leipzig

Eu faço o papel de uma foca solista, uma foca que canta bem agudo. Faço parte do coro solista de focas brancas da ópera, do trio solista (eu – soprano, Simone Werner – mezzo e Alexander Lust – baixo) e também canto um trecho completamente sozinha na ópera. Um interlúdio, digamos, que vem aos 8 minutos e 50 segundos na ópera. Nos primeiros 30 minutos de ópera o coro solista está em cena e cantando quase o tempo todo. A ópera é contemporânea e os cantores se guiam não só pela partitura (já decorada, claro e com texto em alemão, claro), mas também por uma “timeline”. Funciona assim: nós usamos relógios com cronômetros e sabemos exatamente quanto deve durar cada ária, cada coro e cena. E nos orientamos e nos adaptamos pela minutagem.

As datas das apresentações em Berlim:
22 de setembro de 2012
20 de outubro de 2012
17 de novembro de 2012
15 de dezembro de 2012

Horário: 19:15 entrada do público, 19:40 Explicações sobre a ópera e o projeto, 20h Início da ópera (final às 22h)

Local: Baerwaldbad
Baerwaldstr. 64-67
10961 Berlin-Kreuzberg

Ingressos de 29€ a 44€ (quanto mais próxima da récita vai chegando, maior o preço vai ficando).

Atenção: ingressos mais baratos diretamente no Baerwaldbad! Ou em http://www.unterwasseroper.de/

Outras fotos que tirei em Dresden durante os ensaios:

Feliz Aniversário, Clara Schumann!

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No dia 13 de setembro de 1819 nasce em Leipzig Clara Josephine Wieck, que mais tarde passou a chamar-se Clara Schumman, por ter se casado com o compositor Robert Schumann. Ela foi uma brilhante pianista e compositora do período que hoje chamamos Romantismo. Morreu em 20 de maio de 1896.

Viola na Embaixada do Brasil

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Amanhã, dia 13 de setembro de 2012 o violeiro Fernando Deghi vai tocar às 19h na Embaixada do Brasil em Berlim. A entrada é gratuita, mas é preciso enviar um email colocando o nome na lista de convidados.  cultural.berlim [arroba] itamaraty.gov.br

Cantares

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quando tu cantares e para tu cantares

No post passado falei de uma das minhas canções favoritas, a Valsinha do Marajó, do compositor paraense Waldemar Henrique. Este post é dedicado a outra canção que entra na minha lista restrita de favoritas, Cantares, do compositor carioca Ronaldo Miranda. Enquanto Valsinha do Marajó foi composta em 1946, Ronaldo Mirando nasceu em 1948 e é muito atuante no meio musical. Em 2009, quando terminei meu mestrado na UFMG (Belo Horizonte), escolhi a peça Cantares para meu recital de formatura. Durante a performance desta canção chorei de emoção. Chorei durante a música, que além de ser linda, claro, tem versos emocionadíssimos e belos do poeta já falecido Walter Mariani. Comecei a chorar mesmo na última estrofe da música e foi mais que difícil chegar ao final. O bom foi que acabei contagiando quem estava na plateia.

Este ano, 3 anos depois do meu mestrado, cantei novamente Cantares, do outro lado do oceano, aqui na Alemanha, na cidade Potsdam. Foi um concerto de música sacra e música brasileira. Eu e meu organista, Szymon Jakubowksi fomos convidados pela Igreja onde ele leciona a fazer um concerto para órgão e voz. Escrevi para Ronaldo Miranda e perguntei qual canção dele ele recomendaria para se fazer com órgão e ele próprio me recomendou Cantares. Cantares é original para piano e já foi também com sucesso transcrita para violão por Cyro Delvizio.

Que venha se tiver de vir
esse amor assim, assim.

Que venha brando como a brisa imaterial da madrugada
Calmo e sem pernoites
Mais feito de auroras que de noites.

Que venha se tiver de vir
esse amor assim, assim.

Venha em silêncio como um barco deslizando na corrente,
Suave e com recato,
Mais feito de olhar que de contato.

Que venha se tiver de vir
esse amor assim, assim.

Que venha pobre como as aves imigrantes sem pousada,
Franco e contente,
Mais feito de futuro que de presente.

Que venha se tiver de vir
esse amor assim, assim.

Que venha assim esse amor a mim,
Se vier por si,
Se vier por ti.

Então, agora apresento meus dois vídeos da canção Cantares, uma canção que na minha opinião já “se garante por ela só”. Quero dizer com isso que simplesmente por ela existir já faz o mundo mais belo, para mim é uma obra de arte.

O primeiro video é de 2009 e o segundo de 2012.

Causos de Berlim #12 – Rindo na internet

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Vcs tb usam risadinhas por escrito tipo rsrsrsrs, rssss, kakaka, ou kkk? Já tentaram escrever isso com europeus? Com brasileiros continuo usando as risadinhas escritas de internet, mas… há 2 anos eu já tinha usado isso algumas vezes conversando em inglês com minha amiga romena e com meu marido que é italiano (com ele converso em português, italiano, inglês ou alemão, depende da situação e pessoas).

Minha amiga romena nunca tinha falado nada a respeito das minhas risadinhas escritas, mas depois deu escrever isso no chat com meu marido, na época namorado, tipo umas 3 vezes ele finalmente falou “que d*** significa rsrsrs?” (ele chama isso ao vivo de russarussarussa…).

Eu: como assim o que significa rsss?? Risada uai! (é, sou mineira) E expliquei mais ou menos assim:
rsss ou rsrsr = hihihi ou hehehe, depende do contexto
kkkk = haha
kakakakak = HAHAHAHHA

Ele: ahhhh. Mas ninguém sabe o que é isso aqui na Alemanha nem na Itália. E imagino que no resto da Europa tb não.

Eu: Por que vc não me falou antes? O que vc achava que era então quando vc lia?

Ele: não tinha a menor ideia, achei que vc tivesse esbarrado no teclado da primeira vez. Da segunda vez vi que isso deveria ser algum tipo de sigla brasileira, e agora na terceira vez estou perguntando porque até hoje não tinha entendido.

Moral da história: o contexto da risada pra eles não fica óbvio quando escrevemos isso. Parece então que os europeus não usam mesmo esse tipo de sigla, que eu achava que era universal internetísticamente falando. Aqui eles são mais diretos mesmo. Ou é hahaha porque achou muito engraçado ou não é nada.

Valsinha do Marajó

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Nascida num momento de muita inspiração, a Valsinha do Marajó, escrita pelo compositor paraense Waldemar Henrique (1905-1995) se tornou uma de minhas canções favoritas. Tem uma melodia incrível que explora tons extremos, não muito típicos na obra de Waldemar Henrique. Os versos de Paulo Waldemar Falcão são igualmente maravilhosos e fazem assim a combinação perfeita de texto e música, bem ao estilo waldemarhenriqueano. Não é a toa que esta canção era também a canção favorita do próprio compositor.

A Valsinha do Marajó foi escrita originalmente para violão em 1929 e na partitura lê-se uma dedicatória e uma nota, respectivamente:
“A Arnaldo Rebêllo”
“Praia de Matafome à tardinha. Um violão e uma saudade.”

O organista polonês Szymon Jakubowski não fala português, mas captou perfeitamente o espírito da peça nos seus 13 minutos de improvisação sobre a mesma. Em seguida a canção original escrita para voz e piano em 1946.

Gravado ao vivo dia 26 de agosto de 2012 na Igreja Oberlinkirche, em Potsdam, Alemanha.

Quando a lua, tão formosa, tão serena,
Banha de esplendor a praia,
com seus raios sobre o mar!
Uma esteira de luz guia a canoa,
Que na noite constelada, vai singrando o mar!
Eu me lembro de um bravo canoeiro,
Que no mar, seu cativeiro, passa horas a cantar!
O murmúrio vem de tão distante,
Canoeiro errante, teu amor é o mar!

Lembro da jornada alegre matutina,
A canoa parte pequenina,
Num adeus que a própria vrisa doce carregou.
Mas triste é quando se aproxima um temporal,
E o canoeiro bravo que partiu ainda não voltou.
Onda, porque choras lágrimas cantantes?
Tuas vagas rolam soluçantes,
Sobre a alvura dessas praias cheias de luar,
Escuta aquela voz que vem lá do infinito,
Canto tão bonito, que parece
Ser do próprio mar!

Quando a lua tão formosa, tão serena,
Banha de esplendor a praia
Com seus raios sobre o mar!
Uma esteira de luz guia a canoa,
Que na noite constelada, vai singrando o mar!
Eu me lembro de um bravo canoeiro,
Que no mar seu cativeiro, passa horas a cantar!
O murmúrio vem de tão distante,
Canoeiro errante, teu amor é o mar!