teatro

Ópera do Malandro em Berlim chega ao fim (2013)

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Depois de MUITO trabalho estamos chegando ao final. Começamos os ensaios da ópera do malandro, de Chico Buarque no dia 26 de novembro de 2012 no teatro Neuköllner Oper em Berlim, no bairro Neukölln e estreamos a peça no dia 31 de janeiro de 2013. A última semana de ensaios foi a mais intensa de todas e tantas coisa foram alteradas, até mesmo comportamento e intenção de personagens. Depois de sangue, suor e lágrimas, a peça foi crescendo e desde o primeiro dia até o último temos a casa lotada. Em alguns dias até mais que lotada, com gente em pé e assentada no chão. Os ensaios para mim foram duros, principalmente os coreográficos, afinal eu nunca tinha feito nada do gênero antes. Já fiz aula de “dança jazz”, adorava ir ao forró, fiz uns meses de “dança afro”, tudo quando ainda era adolescente e em 2010 fiz uns meses de sapateado. Essa era minha experiência com dança, mas nada profissional. Profissional somente canto mesmo e digamos que alguma (pouquíssima) experiência como atriz, já que havia sido sempre em ópera tradicionais, que vejo, hoje, são bem mais fáceis de fazer do que teatro pra valer! Eu já tinha cantado no Brasil a ópera “Der Schauspieldirektor”, de Mozart, que entre as músicas tem pedaços falados, como teatro mesmo e como era no Brasil fizemos em português, claro. As músicas em original, alemão e para o público legenda. Aqui, na ópera do malandro foi assim, só que ao contrário. Teatro em alemão e músicas em português com legenda em alemão pro público. Mas a ópera do malandro não é uma “ópera” de verdade, este nome é um jogo do autor. A ópera do Malandro é na verdade um musical, até porque iria ficar ridículo cantar músicas populares como Folhetim e Homenagem ao Malandro, por exemplo em estilo operístico. Chico Buarque teve várias referências e inspirações para a trama de sua peça, dentre elas “Die Dreigoscheroper”, texto de Brecht e música de Weil. Realmente a semelhança é muita, até mesmo a hora em que as músicas aparecem. Mas como todo gênio, Chico transpõe como ninguém para a realidade brasileira o que precisa ser transposto e compõe suas músicas inéditas também. No elenco de Berlim somos 8 pessoas, sendo 4 alemães e 4 brasileiros.

Enfim… sucesso! Eu estou particularmente feliz com meu crescimento artístico e também o crescimento dos meus personagens. Na peça faço a Fichinha, uma prostituta do Norte do Brasil e a Lúcia, a filha do Chefe de Polícia Chaves, que está grávida do malandro Max Overseas. Minha Fichinha começou como uma prostituta muito sensível, que chorava o tempo todo e era até inocente e se desenvolveu pra uma prostituta ignorante e de certa forma corajosa, mas um personagem cômico. A Lúcia é uma mulher temperamental e apaixonada, mas que não se deixa enganar. Eu adoro fazer a cena da Lúcia na cadeia com Max e na continuação Teresinha entra e culmina na briga das duas com a canção “O meu amor”. Depois Teresinha é botada pra fora e Lúcia continua com Max, finge que engole suas mentiras mas canta “Palavra de Mulher”, uma música que foi composta especialmente para Elba Ramalho, e não na primeira versão da peça. Elba Ramalho foi crescendo na trama e foi aí que ganhou também este solo, que canto orgulhosamente. É uma música muito intensa. Como Fichinha meu solo é Folhetim, que é outra música que adoro, lindíssima mas bem mais leve que Palavra de Mulher. O dueto O meu amor é coreografado e Lúcia e Teresinha tentam mostrar não só com a poesia da música o que cada uma tem de Max, mas também com os gestos.

Foi um trabalho muito legal e que eu adoraria repetir. E com a casa cheia todos os dias, com 19 apresentações no total, quem sabe o teatro não resolve fazer uma nova temporada? Vamos ver. Todas as fotos abaixo são do meu arquivo pessoal e foram tiradas com meu celular.

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Opera do Malandro em Berlim

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Ihr seid herzlich eingeladen zur “Opera do Malandro”, die “brasilianische Bettleroper” von Chico Buarque in deutscher Fassung von Lilli-Hannah Hoepner, Luciana Rangel und Bernhard Glocksin. Das ist keine “echte” Oper, es ist mehr eine “samba musical”, pikant und lustig. Der Text wird auf Deutsch gespielt und die Lieder auf Portugiesisch gesungen, mit Deutschen Untertiteln. Ich spiele 2 Rollen, eine Nutte (Fichinha) und die Tochter des Polizeipräsidenten (Lúcia). Mehr über die Geschichte könnt ihr in der Nk.Oper Seite lesen: http://www.neukoellneroper.de/

Spieltermine: 31. Januar; 2./3., 7.–10., 13./14., 16./17., 21.–14., 28. Februar sowie 1.–3. März, 20 Uhr

Die Tickets kosten von 13 bis 24€

Ermäßigte Karten zu 9 € erhalten Schüler, Studenten, Auszubildende, Wehr- und Ersatzdienstleistende sowie Begleitpersonen von Schwerbehinderten gegen Vorlage eines gültigen Ausweises.

Der Stück dauert etwa 2 Stunden.

Linie 1 – musical de sucesso

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O musical Linie 1 (linha 1), estreado em 1986 é a segunda peça teatral de maior sucesso na história da Alemanha. Só perde para Die Dreigroschenoper (A ópera dos três vinténs), de 1928. Esta, por sinal, juntamente com The Beggar’s Oper (A ópera dos mendigos), de 1728, foram as duas inspirações de Chico Buarque para sua Ópera do Malandro, que é assunto para um outro post que com certeza farei, pois será encenada em Berlim.

Recapitulando os autores e compositores: The Beggar’s Oper tem texto de John Gay e músicas de Pupusch; Die Dreigroschenoper foi escrita foi Bertold Brecht e a música de Kurt Weill; e Linie 1 tem texto de Volker Ludwig e música de Birger Heymann.

A peça Linie 1 tem como sua residência fixa o famoso Grips Theater, em Berlim, mas já foi feita também em vários outros países e teatros. Curiosidade: o teatro Grips apresenta cerca de 300 encenações por ano. As encenações de Linie 1 sempre estão lotadas, – aliás, que eu saiba todas as encenações lá são sempre lotadas ou super cheias – é preciso comprar o ingresso com uma boa antecedência. O teatro não tem lugar marcado também, (salve-se quem puder) é pequeno e num formato tipo “meio arena”: tem o palco e nas laterais e em frente bancos inteiriços para o público. Os ingressos hoje em dia custam 20€ para esta peça, mas fui com um grupo grande de pessoas, quem comprou os ingressos foi uma ex professora minha de alemão e pagamos 5€ só. A peça tem cerca de 3 horas de duração e obviamente é com texto em alemão e música em alemão (claro né, mas só pra constar mesmo).

Esta foi a terceira peça de teatro alemã (não estou contando óperas) que assisti aqui, desde que me mudei, há 2 anos e 3 meses. As outras duas foram Mirandolina, ou La locandiera (1751), do italiano Carlo Goldoni, que é muuuuuito boa, há anos não ria tanto assim no teatro, e Frau Müller muss weg (a Sra. Müller tem que sair), que foi boa mas só marcou pra mim porque foi realmente a primeira de todas que assisti em alemão. Já falei aqui sobre um tanto de coisas e sobre Linie 1 mesmo nada! Eu adorei. Pronto falei. Eu estava um pouco receosa se meu alemão seria suficiente pra encarar 3 horas de espetáculo em alemão e fiz uma pesquisa antes. Li tudo que achei sobre a peça, inclusive as letras de algumas músicas. Mas sinceramente não sei se fez muita diferença. Ela é uma peça relativamente fácil de entender, diferente de Frau Müller Muss weg, por exemplo, que logo no início vários termos técnicos de escola são falados e eu não tava seguindo muito bem. Por outro lado, Linie 1 tem também seus momentos em dialeto berlinense, que para minha surpresa consegui entender bem e é, claro, como sempre, algumas piadinhas internas ou coisas que remetiam a outras coisas, intrínsecas ali que só quem é alemão mesmo pra pegar. Atualmente meu nível de alemão é C1, mas tinham alguns alunos de B1 que disseram que gostaram muito da peça também e que entenderam. Acho que o fato de ser musical ajuda bastante no entendimento. A música não costuma ter barreiras.

Finalmente então, depois dessa lenga lenga… Linie 1 é uma história que se passa toda na linha de metrô número 1 de Berlim (U1), a mais velha de todas e é também uma das que passam aqui perto da minha casa. Antigamente ela começava na estação Zoologischer Garten e terminava em Schlesisches Tor. Hoje é um pouquinho diferente. Uma moça sonhadora de uma cidade pequena na Alemanha vem a Berlim procurando seu amor, que é um rock star, para ficar junto dele, pois está grávida. Procurando o amado ela vê varias situações no metrô 1 e conhece pessoas. O rock star havia lhe dado seu endereço errado e SPOILER ALERT eles só se encontram na última cena da peça, quando ela descobre que está apaixonada por outro cara que conheceu ali no metrô. O rock star acaba ficando com outra personagem também. A peça é muito bem amarrada e os atores eram fantásticos. Um dos pontos altos da peça, na minha opinião é a música Wilmersdorfer Witwen, segue abaixo o link do youtube:

ps. depois do teatro, fiz ainda um programa pra deixar a noite ainda mais perfeita. Peguei o metrô 1 até a antiga última estação, Schlesisches Tor, e lá, na Skalitzer Str. 60, 10997 Berlin-Kreuzberg, jantamos na taqueria Ta’ Cabrón, que descobri recentemente nas minhas andanças e super recomendo! Comida gostosa, preço excelente e atendimento muito amigável.

Centenário de Jorge Amado

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Ontem fui a um evento comemorativo do centenário do grande escritor Jorge Amado na Embaixada do Brasil em Berlim. A noite foi emocionante, de verdade. Meus olhos ficaram cheios d’água em muitos momentos.

Algumas das atrações da noite:

-crianças lutando capoeira
-leitura de trechos da obra de Jorge Amado por estrangeiros estudantes de português
-leitura dramatizada da obra “O Gato Malhado” por atores profissionais em alemão
-Edson Cordeiro cantou a música É doce morrer no mar acompanhado por seu fiel pianista Broder Kühne.
-Para o encerramento total da noite, Paloma Jorge Amado fez um discurso emocionante.

E pra ficar ainda mais gostoso, a barraquinha da Bia vendendo acarajé e coxinha!

Fotos que tirei com meu celular. Vejam abaixo.

Edson Cordeiro

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Resolvendo coisas na rua – dentre elas buscar uma toalha de mesa que comprei o pano no Ikea por €6,40 e a bainha (Die Saum) ficou em €10 – passei na frente de um teatro que não sabia que existia, o BKA. Endereço Mehringdamm 34, 10961 Berlin.
Fiquei ainda mais surpresa ao ver o cartaz na porta: Edson Cordeiro: The woman’s voice. Vocês se lembram quando ele explodiu no Brasil nos anos 90? Ele cantando trechos da famosíssima ária “Der Hölle Rache”, de Mozart e Cássia Eller cantando “I can’t get no satisfaction”, do Mick Jagger e Keith Richards. Tudo junto, no mesmo arranjo. Eu particularmente acho bárbaro. Bem cafona e original. Quem aí nunca curtiu uma música ou arranjo bem barango? É uma graça. Pois bem, fiquei curiosa e comprei meu ingresso para vê-lo ao vivo. Custou €20 e ele canta hoje, sexta e sábado (23, 25 e 26.03.11). Acredito que ele foi o grande responsável por qualquer pessoa conhecer essa ária de Mozart. Tá, tá, eu sei que ela já era MEGA ULTRA conhecida, mas vai falar que não popularizou ainda mais?
Esta aqui é a famosa versão de I can’t get no com Rainha da Noite:
E aqui o site dele, bem legal por sinal:

Eu quero

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Já vou pro Brasil logo logo (logo!), aí comecei a bateção de perna por aqui para comprar os últimos presentes, presentinhos, presentões, encomendas insignificantes, pequenas, médias, grandes e indelicadas. Nisso, a câmera laranja fofa da Clara (exemplo de encomenda indelicada…MENTIRA, brincadeira) vai passeando comigo e vou aproveitando para “testá-la” (han han). Claro ué, se der problema eu tenho que trocar aqui. Felizmente já estou testando há uns 20 dias e ela está boa até demais! Clara, vou acabar esquecendo ela em Berlim…brincadeira de novo. Bom, o ponto é que tenho feito as fotos do blog com a câmera dela e estas aí embaixo também são. Passeando na loja TK Max a gente vê mil coisas de cozinha bacanas e travessas e panelas da Le Creuset com preço ótimo também. Mas desta vez o que gostei mais foram as travessas da Polka Dot…cheias de polka dots, claro. (pra quem não sabe, polka dot = bolinhas).

Amei todas essas travessas de polka dots! A média era uns €15,-
Pote de sal Le Creuset: não lembro o preço, acho que era uns €10,-
Tendo últimos dias cheios por aqui. Ontem por exemplo acordei às 6 da matina, aluguei uma van, busquei o sofá-cama que a Jane deu, chegando em casa o elevador estava estragado…subi 3 andares com o sofá na escada… *claro que não conseguiria fazer tudo sozinha, estou emitindo a segunda pessoa. 
De tarde fui comprar partitura pro Arnon, creme pra minha prima Rosana, cartão de aniversário pra outra e de noite fui ver A Flauta Mágica (Die Zauberflöte) na Deutsche Oper com Stephen Bronk, meu mestre, como Sarastro. Três horas de ópera, muitas excursões de crianças no teatro, muitos alemães e alemãs com sovaco fedendo (nu! a minha vizinha de cadeira tava de matar e ainda com um vestido sem manga). A cantora que fez a Pamina era muito boa, excelente interpretação. Ela realmente sabia o que estava cantando e passou muito bem toda a chatice e dramaticidade do papel. Fiquei arrepiada. A Rainha da Noite, claro, sempre impressiona demais todo mundo com todas aquelas coloraturas. Era uma voz bonita, pesada como exige o papel e lotada de agudos. Mas o figurino estava péssimo! Desvalorizou demais a cantora, diria até que a deformou.
Já cantei esta ópera como segunda Dama da Rainha da Noite, numa montagem da UFMG, também num concerto na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes como Papagena e já passei legenda quando não estava cantando.
Pra não dizer que não falei de comida, tomei uma sopinha de tomate com beringela no restaurante do teatro que estava super divina, vou olhar uma receita depois. E finalmente, depois do dia cheio, fui correndo pra casa. 
Voltando ao sofá, se alguém souber onde se re-estofa o colchão do sofá cama (é tipo um colchão de cama normal mas que dobra) aqui em Berlim e com preço bom, por favor me diga.

Die Fledermaus

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Ontem eu fui assistir a opereta O Morcego (Die Fledermaus), de Johann Strauss, aqui em Berlim. O regente era nada mais nada menos que ZUBIN MEHTA!!!! AAAAAAAA!!!! O cara é demais! Tinha a orquestra nas mãos! Os cantores também estavam excelentes e a opereta é o máximo, muito engraçada. É emocionante pensar que moro em Berlim e que tenho o mundo da música aqui, na minha cidade. Moro a 15 minutos da Filarmônica de Berlim e tantos outros teatros, eventos, exposições e shows de tanta gente importante na música. Zubin Mehta é um grande regente indiano que faz parte da grande história da música mundial.
Esta opereta que tive o imenso prazer de assistir ontem foi no Teatro Schiller mas com a companhia da Staatsoper. Enquanto o Teatro original da Staatsoper (próximo ao Portal de Brandenburgo) está em reforma, os espetáculos estão acontecendo neste outro teatro, que achei fofo e adorei a acústica.
Pra quem não sabe, a diferença entre ópera e opereta é que na ópera é música o tempo inteiro. Já na opereta, existem trechos falados, como em um teatro. 
A montagem que assisti ontem foi super interessante, pois o cenário e figurino eram modernos, apesar da opera ter tido sua estreia em 1874. Existe um papel 100% falado nesta opereta, é o carcereiro Frosch, que foi interpretado pelo ator Michael Maertens. Devo dizer que ele roubou a cena. Não conheço o texto original, e é óbvio que foi muito modificado para este papel, o que foi fantástico. Engraçadíssima a performance e o texto também muito bem escrito.
Depois fomos num restaurante italiano comemorar o aniversário de uma pessoa e final de período probatório no trabalho de outra. “Me fizeram” cantar uma ária lá pelas tantas na comemoração e cantei a super conhecida O mio babbino caro (ó meu paizinho querido) e um dos donos do restaurante quer que eu cante lá. Me convidou para voltar lá e ver como são as apresentações que eles tem tanto de jazz, blues e música popular de um modo geral. Falou para eu pensar. Bem, ok, vou pensar, mas este mês já estou muito ocupada com outras coisas e logo em seguida vem viagem pro Brasil!