palavras

Tudo que você sempre quis falar em alemão

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Algumas de minhas palavras favoritas e mais úteis:

  • was auch immer (whatever)
  • außerdem (além do mais…)
  • eigentlich (na verdade…)
  • sogar (even)
  • Empfehlen (recomendação) 
  • verzichten (abdicar, desistir)
Agora das mais chiques: herüber reichen (passar pra cá) Vamos ao sentido. Esta é uma das formas de se dizer num almoço “Me passa o sal, por favor?”: “Reichst Du mir den Saltz herüber, bitte?”  Háaaa! Chique demais né não? Agora se quiser ser alemão mega formal e dizer “O Senhor poderia por favor me passar o sal?” é: “Könnten Sie mir bitte den Salz herüber reichen?” Gente, isso que é finesse.

E a favorita das crianças: Schmetterling (borboleta)

obs. Nos últimos dias o blog estava temperamental e não aceitava que eu postasse nada. As novidades são que viajo pra Londres semana que vem.

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No Telefone

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“O telefone tocou novamente, fui atender e não era o meu amor… “
Os versos são de Jorge Ben e a situação é comum para os estrangeiros aprendendo alemão. Falar ao telefone é sempre pior que ao vivo. Eu estou começando agora a ficar mais relaxada com isso, mas no início, interfone era ainda pior que telefone. Já até chorei por causa disso uma vez! Um cara tocou o interfone e pediu pra eu abrir a porta. Eu perguntei pra que. Ele falou schehnordsflienemsttsshdgksagh ghrgrh schigkeiten!! Eu falei que não tinha entendido. Ele repetiu falando mais alto. Eu falei que não tava entendendo e que era pra ele tocar em outro apartamento. Aí ele começou a gritar comigo (coisas que também não entendi). Aí eu falei que era estrangeira e continuava sem entender o que ele queria e eu não ia abrir a porta. Aí uma voz de mulher apareceu e começou a gritar do mesmo jeito comigo. Fiquei nervosa. Abri a porta e danei a chorar. Que besteira né. Depois contei isso pra minha professora de alemão do curso que fazia na época e ela falou “Por que você não abriu logo?”. Quando falei isso pra uma brasileira ela disse “Por que você não bateu logo o interfone na cara deles?”. Acho que fiquei num dilema cultural e acabei abrindo mas me sentindo culpada e até hoje não sei o que eles queriam no meu prédio. Depois tive mais uns 2 apertinhos ainda com interfone de novo, mas menos piores. Ainda sim cada vez que o interfone tocava eu tremia. Até que com o tempo fui me acostumando com as palavras-chave tipo: correio, anúncio, encomenda, sou seu vizinho e esqueci a chave, estou trabalhando no seu vizinho…etc.
Bom, aí no telefone não é tão ruim quanto ao interfone, porque o que me mata são essas conversar curtas! Demorei umas semanas pra começar a entender quando a moça do caixa da drogaria me perguntava se eu tinha o cartão da loja ou se eu queria uma sacolinha e no supermercado se eu queria “feijões de confiança” ou “corações fiéis”. Cada um tem seu sistema de acumular selinhos e depois ganhar um prêmio ou trocar por algum produto. Na lanchonete podem te perguntar “é pra comer aqui ou pra levar?” e a Clara minha amiga só fez um gesto com a cabeça porque não entendeu bulhufas quando ela estava a passeio por aqui e ganhou uma marmitinha. Aí foi comer sem graça na calçada. A Eve é casada com alemão e mora aqui há 1 ano. Foi pedir um currywurst (salsichão com curry) e ao invés de perguntarem a ela “com catchup ou maionese” falaram “vermelho e branco“?? Hein?
Aí no telefone as conversas geralmente são mais longas que isso, o que facilita, por incrível que pareça, afinal você sabe do que se trata o assunto anteriormente e já está preparada, enquanto as perguntas de supetão na drogaria e supermercado, não. É engraçado pensar que às vezes a gente não consegue responder a pergunta mais boba como “quer uma sacola?” e consegue manter uma conversa de horas em alemão. Ao vivo. Voltando ao telefone… (nossa eu tô me distraindo do tema facilmente hoje!) … eu até pouco tempo pedia pra alguém ligar em meu nome quando eu precisava. Agora já estou ganhando mais confiança porque odeio depender dos outros. Mas quando é alguma coisa importante de verdade ou se é um assunto muito sério, ainda prefiro que alguém fale por mim. Felizmente isso não tem acontecido. 
Hoje eu estava aqui organizando uns documentos e vi que seria bom ter um certificado de conclusão do curso B2. Aí liguei pra JVHS, que foi a escola que fiz “oficialmente” este nível e falei tudo! A moça teve que perguntar duas vezes quando foi que eu fiz o curso, tá certo. Porque com o “quando” dela eu achei primeiro que era “pra quando eu preciso”, depois que era “quando você quer buscar”…aí finalmente ela falou de novo. “Não, quando… você … fez … este… curso… conosco?” Achso! Passado este pequeno empecilho o resto todo falei certinho e vou lá buscar meu certificado segunda-feira.

Ameise (formiga) e Abfluss (ralo) no banheiro

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Aqui na minha casa é um paraíso sem formigas (*referência ao livro da Neusa Cortez: Paraíso sem bananas). Explico:
1) Na minha casa em Belzonte não podemos deixar NADA um pouquinho aberto, nem uma frestinha minúscula, que as formigas ATACAM! Principalmente se é doce. Mas atacam mesmo, eu já passei muita raiva com isso, tava lá meu After Eight lindo e gostoso meio fechado… no dia seguinte umas duzentastrilhonas de formiguinhas grudadas no meu chocolate! Aí o que a intelijumenta aqui fez? Pegou o secador de cabelo pra voar com as formigas dalí. Só que o que eu não contava, é que o calor do secador iria fazer derreter o chocolate (dã). Aí algumas formigas voaram, outras ficaram grudadas no chocolate derretido. Então pus o chocolate na geladeira. Quanto trabalho por um chocolate. Moral da história; lá em casa comemos uns chocolatinhos de menta com formiga. E olha que sou muito contra isso, porque se for pensar com calma, formiga é um bicho nojento, que come desde cabos de eletricidade até baratas.
2) Na minha casa em Berlim eu posso deixar um bolo inteiro, até daqueles bem lambuzados de brigadeiro o tempo que eu quiser, não acontece absolutamente nada! É incrível! Isto é incrível! É muita felicidade para mim, que não podia sequer ter um açucareiro daqueles que ficam com a colher com o cabo pra fora. Posso deixar chocolate aberto em qualquer lugar, até lá no fundinho da dispensa que não aparece sequer uma formiguinha. É bom demais! Mas me falaram que existe formiga em algumas casas aqui. 
3) Pelo visto eu tenho muita sorte, porque além de não ter formiga, meu banheiro tem ralo. Tem ralo! É o único banheiro que eu conheço aqui na Alemanha que tem ralo! É minha gente, normalmente lavar banheiro com baldes de água aqui, nem pensar! Não tem por onde escoar a água. Mas aqui em casa, se eu quiser, tem! É o sonho de muita brasileira. Em compensação o banheiro não tem janela. Fica aquele barulho de exaustor depois de um tempinho que a luz do banheiro está acesa e quando apagamos ainda demora um pouquinho pra pagar.

Meu “famoso” ralo.
Próximo post: limpando o bumbum na Alemanha.

Causos de Berlim #4 – Wörter/Palavras

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Minha colega israelense do curso de alemão contou o seguinte causo. Ela estava na Alemanha há pouco tempo e recebeu visitas em casa, queria que todos se sentassem e ficassem confortáveis. Agora eis o que ela falou: -Platzen Sie sich, bitte.
Explicação:
Platz: lugar
platzieren: colocar
platzen: explodir, arrebentar
Sie: Senhor(es)/Senhora(s)
bitte: por favor
Meu comentário: hahahaha. Nós no curso sempre contamos os “foras” que damos aqui. Já contei lá também o meu de oferecer camisinha pro cara ao invés de chiclete.
Outra palavra interessante é deutlich. A primeira vez que ouvi achei que significava “alemãmente”, pois, claro, Deutschland é Alemanha e Deutsch é alemão. Mas deutlich (sem o S no meio) significa com exatidão, precisamente, claramente. E antes eu entendia como sendo deutschlich. Aqui na Alemanha uma letrinha faz diferença tanto no significado quanto na pronúncia. Mas às vezes a pronúncia é sutil. E na verdade pra mim faz sentido deutlich ser precisamente, pois os alemães são precisos e diretos, então se fosse deutschlich seria mais ou menos o mesmo. Fez sentido?

Causos de Berlim #3 – Chiclete/Kaugummi

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Die Dekadenz
Eu achei que era “a decadência”. E segundo o dicionário…é.
Mas ontem na aula de alemão aprendi que é um sinônimo de hoher Lebensstandard (alto padrão de vida).
Então: Die Dekadenz = hoher Lebensstandard.
Não entrou muito bem na minha cabeça ainda, principalmente depois de ter checado no dicionário. Mas a professora é alemã e foi bem enfática quando eu e os outros portugueses da turma explicamos o que era decadência em nossa língua. Ela se surpreendeu e disse que era então um falso cognato. Acreditei já. Mas que tem o significado “normal” também, tem! Senão não estaria no dicionário!
Então mais uma pra lista: Kuh é vaca, Kuss é beijo, Dekadenz é luxo, Gift é veneno. E a lista vai só aumentando.
Pra coroar, há um tempo eu peguei uma carona com um alemão e rolou esse diálogo, que transcrevi abaixo:
-Möchtest du ein Gummi? – Você quer um “chiclete”? (na minha cabeça era chiclete, mas eu estava oferendo uma camisinha)
-(rsss) Was meinst du? – O que você quer dizer?
Mostro o chiclete e digo:
-Hum… Kaugummi? – Hum… chiclete?
-hahahahahhaha (e me explicou***).
-hahahahahahahEs tut mir Leid. – Mil desculpas.
***Acontece que chiclete é “Kaugummi” *kau, de mascar + Gummi, de material elástico. Gummi, por sua vez, é usada em diversas palavras relacionadas a plástico, mas quando está assim sozinha… significa “camisinha, preservativo“. Sacaram o que aconteceu né?

Vai um lenço aí?

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Primeiro preciso fazer uma curta introdução:
Eu não ia escrever sobre este tema, mas fiquei mais corajosa depois que li o último post da Eve. Então vamos lá!

Eu não sei por que, se tiver algum cientista aí, me diga, mas o corpo do ser humano produz mais meleca na Alemanha do que no Brasil. Nojento, eu sei. Não sei se tem a ver com a água, que tem muito cal, com o tempo, umidade ou o que, mas é um fato, já fiz uma breve pesquisa com outros brasileiros que moram aqui e todos confirmaram este fato peculiar. Por isso é bem normal assoar o nariz na frente de outras pessoas por aqui. Você vê as meninas novinhas, bonitinhas… e lá vem um “fooonnn” pra fora com o lencinho. Estranho pra gente, mas normal aqui. Aqui na Alemanha é falta de educação fungar! Isso mesmo, melhor fazer um barulhão pra fora do que um fungadinha pra dentro. Pra eles o nojento é pra dentro. E passar a mão no nariz sem lenço, nem que seja uma coçadinha (do lado de fora do nariz, naturalmente), nem pensar também! Eles acham que você tá tirando meleca sem lenço. Ruim pra mim, que tenho piercing no nariz e às vezes dou uma ajeitadinha nele. Como já uso há 12 anos… virou hábito. Estou me policiando pra não me passar por mocinha mal educada.

Taschentuch é lenço de bolso, em alemão. Aqui é muito normal utilizá-lo com frequência e o motivo vocês acabaram de ler. No inverno então, às vezes vai um pacotinho de lenço de papel por dia!

Notícias da Alemanha: carona, registro e abrindo uma conta

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Pra dar notícias…muitas… quem não tiver paciência melhor escolher um número na sorte e ler só esse!

1- Ontem correu tudo super bem com a carona. Quando cheguei na estação de Hannover já fui direto pro banheiro, porque ontem eu tava numa bebeção de água que só vendo! Aí no primeiro estacionamento que entrei (ou melhor, saí – porque era fora da estação já), comecei a procurar a placa do cara da carona. Aí achei! Era vermelho, grande, um Opel Zafira, cheio de bandeira da Alemanha pregada, até nos retrovisores. O cara não era nem simpático nem antipático, bem gordinho e tava num cheirinho de suor…rsss. Aí aos poucos chegaram os outros 3 caroneiros e pegamos estrada! Primeiro teve uma sessão de AC/DC no carro, depois heavy metal alemão, aí ele foi se acalmando e colocando Robbie Williams e depois um jazz antigo.

2- Hoje fui fazer meu registro de moradora de Berlim no Bürgeramt do bairro que estou morando. Levei só minha identidade (portuguesa), mas é bom levar também o seguro de saúde. Como eu não estava com ele e não sabia que precisava, falei pro cara que tinha um de viagem até tal dia mas que antes do vencimento vou providenciar um novo, daqui. Ele acreditou! Cês acreditam? Claro que era verdade a minha, mas imagina se no Brasil alguém ia simplesmente acreditar e pronto?
Por enquanto moro na casa de conhecidos, então o endereço que dei lá é provisório. Um dos moradores teve que ir comigo pra assinar algo. Aí assim que eu me mudar vou lá trocar o endereço (com a dona do novo apartamento) e aproveito e levo meu novo seguro de saúde.

3- O Stephan (que me atendeu no Bürgeramt) falou que se eu fosse ficar aqui mais de 3 meses, precisaria também de outro papel, o…tchanam… Freizügigkeitsgesetzes/EU!!! Hein? Tá… indo por partes, como Jack, o estripador, dá pra ler! Frei zügig keits gesetzes! Sacaram? “frai tsüguig caits guezetses”. Aí eu perguntei se não podia fazer então de uma vez, porque vou ficar mais de 3 meses. Ele disse que sim! Aí fiz! Tudo que precisei marcar na folha foi “Arbeitssucher” (Procuradora de trabalho). Frei significa livre…e EU Europa. Então… sou uma cidadã moradora livre européia que mora em Berlim e procura trabalho! Eeee!

4- Depois fui procurar um Postbank (Banco dos Correios) pra abrir uma conta. Eu ia abrir na Sparkasse mas alguns alemães me recomendaram o Postbank, então mudei de ideia. Achei um logo e entrei na fila… perguntei como fazia pra abrir conta e do que eu precisava. O cara disse “sua ID por favor”. E pronto. Não precisou de xerox e original de comprovante de residência, água, luz, telefone, título de eleitor, certificado de reservista, contracheque CPF e nao sei o que! Foi SÓ a minha ID! Ele fez umas perguntas (tipo onde eu moro, meu telefone, se sou solteira e tenho filhos). E pronto. O número da minha conta será gerado e receberei no endereço que pedi meu cartão de débito. Preciso tirar um extrato por mês para eles verem que estou “viva” e utilizando a conta. Por enquanto sou Arbeitslos (desempregada), mas se eu começar a receber abaixo de 1000€ não preciso pagar manutenção de conta. Nada mal pra 1 dia né? (Aqui eles falam “né” também! Igualzinho e com o mesmo sentido!)