Mês: janeiro 2011

Eu quero

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Já vou pro Brasil logo logo (logo!), aí comecei a bateção de perna por aqui para comprar os últimos presentes, presentinhos, presentões, encomendas insignificantes, pequenas, médias, grandes e indelicadas. Nisso, a câmera laranja fofa da Clara (exemplo de encomenda indelicada…MENTIRA, brincadeira) vai passeando comigo e vou aproveitando para “testá-la” (han han). Claro ué, se der problema eu tenho que trocar aqui. Felizmente já estou testando há uns 20 dias e ela está boa até demais! Clara, vou acabar esquecendo ela em Berlim…brincadeira de novo. Bom, o ponto é que tenho feito as fotos do blog com a câmera dela e estas aí embaixo também são. Passeando na loja TK Max a gente vê mil coisas de cozinha bacanas e travessas e panelas da Le Creuset com preço ótimo também. Mas desta vez o que gostei mais foram as travessas da Polka Dot…cheias de polka dots, claro. (pra quem não sabe, polka dot = bolinhas).

Amei todas essas travessas de polka dots! A média era uns €15,-
Pote de sal Le Creuset: não lembro o preço, acho que era uns €10,-
Tendo últimos dias cheios por aqui. Ontem por exemplo acordei às 6 da matina, aluguei uma van, busquei o sofá-cama que a Jane deu, chegando em casa o elevador estava estragado…subi 3 andares com o sofá na escada… *claro que não conseguiria fazer tudo sozinha, estou emitindo a segunda pessoa. 
De tarde fui comprar partitura pro Arnon, creme pra minha prima Rosana, cartão de aniversário pra outra e de noite fui ver A Flauta Mágica (Die Zauberflöte) na Deutsche Oper com Stephen Bronk, meu mestre, como Sarastro. Três horas de ópera, muitas excursões de crianças no teatro, muitos alemães e alemãs com sovaco fedendo (nu! a minha vizinha de cadeira tava de matar e ainda com um vestido sem manga). A cantora que fez a Pamina era muito boa, excelente interpretação. Ela realmente sabia o que estava cantando e passou muito bem toda a chatice e dramaticidade do papel. Fiquei arrepiada. A Rainha da Noite, claro, sempre impressiona demais todo mundo com todas aquelas coloraturas. Era uma voz bonita, pesada como exige o papel e lotada de agudos. Mas o figurino estava péssimo! Desvalorizou demais a cantora, diria até que a deformou.
Já cantei esta ópera como segunda Dama da Rainha da Noite, numa montagem da UFMG, também num concerto na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes como Papagena e já passei legenda quando não estava cantando.
Pra não dizer que não falei de comida, tomei uma sopinha de tomate com beringela no restaurante do teatro que estava super divina, vou olhar uma receita depois. E finalmente, depois do dia cheio, fui correndo pra casa. 
Voltando ao sofá, se alguém souber onde se re-estofa o colchão do sofá cama (é tipo um colchão de cama normal mas que dobra) aqui em Berlim e com preço bom, por favor me diga.

Waldemar Henrique

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Na época do vestibular, em 2000, estava procurando uma canção brasileira interessante, de impacto, para cantar em minha prova na UFMG. Fui apresentada então a Uirapuru, do compositor paraense Waldemar Henrique. E assim começou minha história com esta figura tão importante da história da música brasileira. Percebi que todos se encantavam à primeira vista com esta canção, e que se um compositor teve esta genialidade em uma, com certeza tem em outras. Comecei a procurar as outras canções dele e descobri uma série inteira nesta linha, eram as Lendas Amazônicas. Futuramente, em 2007, entrei no mestrado na UFMG e o título de minha dissertação é: Lendas Amazônicas de Waldemar Henrique: um estudo interpretativo. 
Quem se interessar em fazer o download da minha dissertação de mestrado, clique no link abaixo, biblioteca digital de teses e dissertações da UFMG: http://hdl.handle.net/1843/AAGS-7XNHAY
Os vídeos com as lendas se encontram em meu canal no youtube, gravação ao vivo feita no mesmo dia da defesa do mestrado. 
A defesa de mestrado em performance (nome do meu mestrado) consiste em defender a dissertação escrita por 30 minutos e cantar pelo menos 60 minutos. Minha defesa foi numa data que escolhi a dedo. Iniciei a defesa pontualmente às 13 horas. Era uma sexta-feira, dia 13.03.2009. Superstições à parte, nervosismo normal, coisa pouca, e tudo correu bem.
Agora estou morando em Berlim há quase 6 meses e para minha surpresa, cada dia mais recebo comentários no youtube e emails de várias partes do mundo elogiando ou pedindo as partituras de Waldemar Henrique. Qual não foi também minha surpresa quando descobri que meu nome e um de meus vídeos do youtube estavam  num comentário no blog de Luis Nassif, jornalista mineiro residente em São Paulo. Acho interessante que só fui começar a receber este feedback aqui na Alemanha. 
Aqui em Berlim estou ensaiando para um concerto com obras de Mozart e Waldemar Henrique, mas por enquanto ainda está numa programação longínqua. Para o verão berlinense cantarei obras italianas e alemãs com o pianista e organista polonês ßymon Jakubowski. A programação waldemarenriqueana mais próxima é dia 26 de fevereiro de 2011 no Rio de Janeiro com o violonista Jorge Santos. Mais detalhes em breve.

Hoje eu comi #38 – Torta de Maçã

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Torta de maçã com muita maçã
Foi mais ou menos inventada, mas com base nesta receita aqui que tirei de um blog alemão. Eu sou meio preguiçosa às vezes com a facilidade da receita. Ou seja, gosto de coisas fáceis e gostosas. E não gosto também de depender de todos os ingredientes, então fico substituindo, inventando outra coisa aqui, acrescentando uma ali. Digo que é uma torta bem gostosa, leve e com gosto de maçã! Eu acho que torta de maçã tem que ter MUITA maçã, não entendo as receitas que levam 2 ou 3 maçãs só. Acho que não deve ficar com gosto de maçã. Aí pra compensar o povo coloca meio quilo de açúcar! Nisso os alemães são tão mais sensatos.
Misture raspas de limão em abundância com 100g de manteiga e 100g de açúcar até virar um creminho. *Eu usei margarina vegetal. Acrescente 2 ovos, essência de baunilha, sherry (ou outra bebiba, ou nenhuma), 50-60g de farinha de trigo (usei integral) e 100g. de avelãs ou nozes ou amêndoas semi trituradas.
Aqueça o forno a 180 graus. Unte a forma e enfarinhe. *Forma redonda que abre na lateral e com diâmetro entre 21-26 cm. A torta  pode ficar tanto mais fina quanto mais grossa. Ou se não quiser desenformar, faça num pirex ou qualquer outra forma de sua preferência.
Pique ou rale grosseiramente cerca de 4 ou 5 ou 6 (!) maçãs descascadas e sem caroços e misture à esta massa. Depois coloque 1 colher de chá de fermento. Aqui na Alemanha misturei ainda 250g de Speise Quark. (na receita original pedia Schlagsahne, mas eu não tinha na hora) *No Brasil costumo substituir isso por iogurte natural integral misturado com creme de leite e dá certo.
Despeje tudo na forma. Coloque maçãs cortadas em meia lua por toda a superfície da torta para decorar (cerca de 3 maçãs. *dica: deixe as maçãs cortadas num caldinho de limão e/ou sherry para não escurecer) e asse por 30-40min. Se as maçãs começarem a queimar e o interior da torta ainda não estiver firme, coloque água em uma forma no andar de baixo do forno.

Mimi

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Me enviaram este vídeo ontem achei fantástico! É uma “versão” da Nona Sinfonia de Beethoven.

Um caso de amor

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Estou apaixonada pelo meu chaveiro novo. Pode me chamar de pessoa mais besta, mas estou.

Domingo passado fui novamente ao Mercado das Pulgas (Flohmarkt) Tiergarten. Achei uma colherinha fofa de açúcar (ou creme) de prata com o ursinho do símbolo de Berlim na ponta. Comprei para dar pra Gigi. Andei mais e vi uma barraca de bolsas de couro. E foi aí que vi os chaveiros de couro em forma de bichinhos. Tinha vaquinha, tartaruga, gato, elefante e até golfinho. Cada um mais bonitinho que o outro. Achei que estava na hora de trocar meu chaveiro de elefantinho de metal por um de vaquinha de couro. E assim fiz. Apreciem (ou não…sei lá). Eu achei muito mimoso!

Wolfgang Borchert

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Ich fahre mit der Straßenbahn, der guten gelben Straßenbahn. Wo fahren wir hin? frag ich die andern. Zum Fußballplatz? Zur Matthäus-Passion? Zu den Hütten aus Holz und aus Hoffnung mit Tomaten uns Tabak? Wo fahren wir hin? frag ich die andern.

Da sagt keiner ein Wort.

Aber da siztz eine Frau, die hat drei Bilder im Schoß. Und da sitzen drei Männer beim Skat nebendran. Und da sitz auch der Krückenmann und das kleine Mädchen ohne Suppe, und as Mädchen mit dem runden Bauch.

Und einer macht Gedichte. Und einer spielt Klavier. Und siebenundfünfzig marschieren neben der Straßenbahn her.
(…)
Tingeltangel, mach die Klingel der Straßenbahn. Und keiner weiss: wohin? Und all fahren: mit. Und keiner weiss — und keiner weiss — und keiner weiss —

Photo Credit:Isabela Santos
Câmera: da Clara
Local: U-Bahn Hallesches Tor

Minha tradução livre:
Eu ando no bonde, o bom e amarelo bonde. Para onde vamos? pergunto aos outros. Para o campo de futebol? Para a Paixão segundo São Mateus? Para a cabana de madeira e esperança com tomates e tabaco? Para onde vamos? pergunto aos outros.

Ninguém diz uma palavra.

Mas aqui está assentada uma mulher que tem 3 gravuras no colo. E aqui estão assentados três homens que jogam cartas. E aqui está assentado o homem de muletas e a pequena garota sem sopa, e a garota com barriga redonda.

E algum escreve poemas. E algum toca piano. E 57 marcham de encontro ao bonde.
(…)
Tingeltangel faz a campainha do bonde. E nenhum sabe: para onde? E todos vão: no bonde. E ninguém sabe… e ninguém sabe… e ninguém sabe…

Wolfgang Borchert, autor deste texto, morreu em novembro de 1947 com apenas 26 anos de idade. Em janeiro deste ano ele escreve Draßen vor der Tür, este drama realista (do qual copiei este breve trecho) de um retorno à vida pós guerra e conflitos, miséria e solidão que esperam uma geração que chega. 
Estava procurando alguma peça de teatro alemão para ler e depois de folhear vários livros em uma livraria “sebo”, achei este. Ainda não sabia exatamente do que se tratava, mas achei relativamente fácil de ler e decorar, por isso comprei. Somente depois vi do que se tratava e li sobre o autor e o livro. Mas para mim é mais fácil pensar que este trecho sobre o “bom e velho bonde” é mais leve do que mostrou ser.

Hoje eu comi #37

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Primo Piatto (primeiro prato):
Risotto allo zafferano (Risoto de açafrão)

Frite uma cebola picadinha em manteiga ou azeite, depois acrescente uma taça de vinho branco seco e mexa um pouco até soltar a aguinha branca. Depois vá adicionando devagar conchas de caldo de legumes ou carne até cozinhar. Quando estiver quase cozido, acrescente o açafrão dissolvido em um pouco do caldo e mexa. Quando o risoto estiver finalmente pronto, desligue o fogo e coloque uma boa porção de parmesão ralado. Neste link tem o vídeo do risoto sendo feito por uma italiana. Quem não entende italiano, não tem problema, o vídeo mostra como faz e dá pra entender bem lendo o que acabei de escrever.
obs. Aqui na Alemanha compro uma porção de açafrão por cerca de €1,25. No Brasil custa um absurdo, eu sei. Então aconselho a fazer com aquele de pó amarelo, também chamado de açafrão-da-terra ou cúrcuma. Não é exatamente o mesmo sabor, mas também é adorável.

Secondo Piatto:
Vagens enroladas no bacon.

Receita:
Comprei congelada e fritei na frigideira no óleo do próprio bacon.